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O Aprendiz Desapontado
16/03/2009



Um menino que desejava ardentemente residir no Céu, numa bonita manhã, quando se encontrava no campo, em companhia de um burro, recebeu a visita de um anjo.


Reconheceu, depressa, o emissário de Cima, pelo sorriso bondoso e pela veste resplandecente.


Alucinado de júbilo, o rapazelho gritou:


-Mensageiro de Jesus, quero o paraíso! Que fazer para chegar até lá?!


O anjo respondeu com gentileza:


-O primeiro caminho para o Céu é a obediência e, o segundo é o trabalho.


O pequeno, que não parecia muito diligente, ficou pensativo.


O enviado de Deus então disse:


-Venho a este campo, a fim de auxiliar a Natureza que tanto nos dá.


Fixou o olhar mais docemente na criança e rogou:


-Queres ajudar-me a limpar o chão, carregando estas pedras para o fosso vizinho?


O menino respondeu:


-Não posso.


Todavia, quando o emissário celeste se dirigiu ao burro, o animal prontificou-se a transportar os calhaus, pacientemente, deixando a terra livre e agradável.


Em seguida, o anjo passou a dar ordens de serviço em voz alta, mas o menino recusava-se a contribuir, enquanto o burro ia obedecendo.


No instante de mover o arado, o rapazinho desfez-se em palavras feias, fugindo à colaboração. O muar disciplinado, contudo, ajudou, quanto pôde, em silêncio.


No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o pequeno repousava e o burro trabalhava.


Em todas as medidas iniciais da lavoura, o pesado animal agia cuidadoso, colaborando eficientemente com o lavrador celeste; entretanto, o jovem, cheio de saúde e leveza, permaneceu amuado, a um canto, choramingando sem saber por que e acusando não se sabe a quem.


No fim do dia, o campo estava lindo.


Canteiros bem desenhados surgiam ao centro, ladeados por fios de água benfeitora.


As árvores, em derredor, pareciam orgulhosas em protegê-los. O vento deslizava tão manso que mais se assemelhava a um sopro divino cantando nas campânulas do matagal.


A Lua apareceu espalhando intensa claridade.


O anjo abraçou o obediente animal, agradecendo-lhe a contribuição. Vendo o menino que o mensageiro se punha de volta, gritou, ansioso:


-Anjo querido, quero seguir contigo, quero ir para o Céu!...


O Emissário divino respondeu, porém:


-O paraíso não foi feito para gente preguiçosa. Se desejas encontrá-lo, aprende primeiramente a obedecer como o burro que soube receber a bênção da disciplina e o valor da educação.


E assim esclarecendo subiu para as estrelas, deixando o rapazinho desapontado, mas disposto a mudar de vida.


Fonte: Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Alvorada Cristã. Ditado pelo Espírito Neio Lúcio. 11 edição. Rio de Janeiro: FEB. 1996



 

 
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