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Desinteresse pela Leitura
23/06/2010

Causa-me preocupação o desinteresse que as crianças e jovens mostram pela leitura.

Cada vez mais ligados à Internet, aos games, crianças e jovens negligenciam a leitura com imenso prejuízo para sua formação moral/espiritual.

A Internet, conquanto seja um excelente órgão de informação, tem colaborado e muito para isso, uma vez que a criança e o jovem são tentados a usá-la apenas em sua parte recreativa. É ela, também, acusada pelos pais como vilã da história, porque mantém seus filhos presos até tarde da noite, e na manhã seguinte eles vão sonolentos para a escola não rendendo o que poderiam render.

Infelizmente a maioria dos pais não é capaz de controlar o que eles estão vendo e assim o filho poderá estar, dentro de sua própria casa, fazendo treinamento para bandido, ou se pervertendo com a indução ao sexo desregrado.

A leitura é um ato isolado e individual que requer concentração e atenção e os jovens fogem de tudo que possa isolá-los. Sentem-se mais fortalecidos quando atuam em grupo, quando interagem com seus iguais. Afora isso, existe a preguiça mental, a indolência e os grandes apelos para as atividades que os levem a interagir com determinados grupos.

Já disse um educador que o verbo ler não permite o imperativo: “Toma este livro e leia-o já”.

A leitura, antes de tudo, tem de ser um ato prazeroso. Não se pode obrigar ninguém a ler, a tomar gosto por ela. Ao contrário, a imposição leva o eventual leitor a desgostar de ler, pois nada que lhe seja imposto verá com bons olhos. Principalmente aos pais está reservada a tarefa sublime de formar o caráter do filho. Para tanto, não adianta impor, mas agir com sabedoria, propiciando a eles, desde bem cedo, acesso a bons livros, à aulas de moral/cristã e principalmente exemplo de vida sadio. É a primeira infância o período ideal para reformular tendências, para plantar o trigo e matar o joio.

Fiquei admirada quando, na penúltima bienal do livro, presenciei uma cena: A criança, com um livro infantil nas mãos, encantada com os desenhos coloridos, pedia à mãe que o comprasse. A mãe, quase a arrastando dali, lhe diz com severidade e azedume:

“Você escolhe: o sorvete ou o livro, porque se compro o livro não compro o sorvete”.

Muito triste, a criança devolveu o livro à estante.

É lamentável a falta de sensibilidade de algumas mães que, ao invés de estimularem o hábito da leitura, censuram suas crianças porque elas pedem livro. E olha que o livro em questão custava a bagatela de cinco reais.

Geralmente, aprende-se a gostar de ler na infância; até pela imitação, quando observam seus pais lendo e comentando os temas lidos. Num lar onde não se cultiva o hábito de leitura, dificilmente os filhos gostarão de ler. O exemplo, em tudo, é fundamental.

Fontes dignas de crédito têm asseverado que o brasileiro, hoje, está lendo mais. Oxalá possa isso ser verdade, pois um país feito de desinformados, jamais chegará a lugar algum.

Lourdes Carolina Gagete


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