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De “dentro” para “fora”
19/01/2009

Mais uma vez a mídia mundial noticia um conflito no Oriente Médio. O ódio instalado entre Israel e a Palestina, não para de fazer vítimas. Acompanhamos atônitos, cenas de guerra e, através delas, vemos que Deus está ausente em alguns corações humanos. Muitos se perguntam: que Deus é este, que permite com que homens exterminem tantos “inocentes”, lutando cada um a seu modo, achando que estão sob o amparo de um Deus exclusivo, protetor de suas crenças?

Na Doutrina Espírita, sabemos que o homem é detentor do livre arbítrio. Entre erros e acertos, no decurso de várias existências, acumula débitos perante a Justiça Divina e Suas Leis [1], dentre elas, a Lei de Justiça, Amor e Misericórdia que estabelece no tempo certo a correção. O Espírito faz a escolha, passa por situações dolorosas, por provas e expiações, facilitando seu aprendizado, ou através de experiências, aprende novas lições, aprimora o Espírito em sua trajetória rumo à evolução.

Não existe o acaso, ninguém está sendo chamado a pagar uma conta que não é sua. Na verdade, o “cobrador” Divino não erra a porta na hora da “cobrança”. Todos têm o direito de se defender, de atacar, de errar e acertar, mas tudo fica gravado na consciência individual. Vivemos um período de transição planetária, e em períodos como esse, o “correio” Divino não para de enviar as ‘cobranças”, e não adianta tentar trocar de endereço, pois antes de reencarnar já sabíamos que as “contas” chegariam até nós de uma forma ou de outra. Essa é uma maneira de tentar explicar o que ocorre, logicamente, o processo é muito mais complicado, simplificamos para facilitar o entendimento dos caros leitores, na verdade Deus não cobra e nem castiga, nós somos responsáveis pelos próprios atos.

Com tantos endereços, nesse mundo globalizado assistimos “on line”, a cobrança chegando para muitos, nesse instante os corações revelam um único sentimento: o Clamor pela Paz e Fraternidade entre os povos!

Que bom seria, se uníssemos esforços com mais freqüência no combate à fome, nos cuidados com o meio ambiente, no combater ao desemprego, no combate a todo tipo de desigualdade, a todo preconceito e formas de violência, e tantos outros desvios morais e comportamentais, cometidos todos os dias pela grande maioria que sofre de uma doença, que impera há muitos séculos: o Orgulho e o Egoísmo. [2]

Essas duas chagas são lembradas o tempo todo pelos Espíritos. O alerta serve como uma rota traçando o destino e o caminho para a mudança. Na maioria dos casos estão ocultos, mas se observássemos atentamente até que fossem revelados, fazendo a mudança necessária, surgiria um novo paradigma, alterando a realidade social que temos hoje. Não mais os Países e seus governantes, as instituições, a política, as leis, as crenças, os relacionamentos seriam culpados por tantos erros cometidos. Descobriríamos que os únicos culpados, são esses dois inimigos ocultos que fazem morada dentro de nós.

A preocupação de todos deveria ser com a autotransformação, a mudança exigida seria a individual, ela ocorreria de “dentro para fora” e não de “fora para dentro” como vimos até aqui. E se todas as teses, as descobertas, os partidos, as leis, os governos, as famílias, o relacionamento entre os povos estivessem dentro desse novo paradigma, imaginem que tipo de Sociedade seríamos capazes de construir?

Já estamos perto de descobrir essa realidade? Que Ciência, Filosofia, ou Religião seria capaz de revelá-la?

Um querido amigo de Santos, Dalmo Duque, escreveu em um de seus textos, algo muito interessante e que me ajudou a refletir sobre isso:

“... os espíritos revelam que uma nova geração começa a nascer no planeta, demonstrando um comportamento diferente dos seus antepassados, são focos de uma transformação silenciosa, sem alarde, se intercomunicam pela afinidade de sentimentos. São portadores de uma revolução invertida, de dentro para fora, e por isso permanecem em silêncio, num compasso de espera, aguardando o momento certo para atuar. ...muitos deles já entraram em cena e desempenharam complicados papéis de mudança; papéis de destaque ou anônimos, como suportes ou pontas de lança, mas todos comprometidos com as transformações. São pessoas diferentes e que continuam a nascer todos os dias.

Segundo Carl Rogers, eles terão uma infância atormentada, sofrerão as adversidades de um ambiente estranho e hostil, mas conseguirão sobreviver. Irão crescer, instruir-se para exercer as mais diversas profissões, geralmente ligadas ao processo de mudanças: na educação, nas artes, nos laboratórios, no ativismo social.Serão autênticos agentes da regeneração planetária e por isso ocuparão novos espaços e saberão explorar o novo tempo. [3]

Sim, o mundo espiritual já revelou através dos livros da Codificação a chegada desses espíritos [4], descreveu a classificação dos mundos e a renovação Planetária que a Terra passará, de mundo de expiação e provas, para um planeta regenerado e feliz, dependendo unicamente da renovação individual, e estamos sendo convidados a ela desde Sócrates, quem já não ouviu a célebre frase: Conhece-te a ti mesmo? [5]

O Espiritismo trouxe novamente a mensagem de Sócrates. Veio reviver o Cristianismo em sua essência moral, veio dizer que o caminho da renovação interior será descoberto quando vencermos o egoísmo e o orgulho. O Espiritismo mostrou que Jesus é “O Caminho, a Verdade e a Vida” e que suas lições e exemplos são códigos de conduta a ser seguido e só conseguiremos, quando pararmos de pregar o Evangelho e passarmos a “vivê-lo, quando pararmos de trabalhar para Jesus e trabalharmos pela nossa “renovação interior”, quando percebermos que somos humanos, interligados por sentimentos e atitudes, e que não estamos globalizados somente pela tecnologia e pela bolsa de valores, quando percebermos que não precisamos destruir a Natureza e nem os seres que nela vivem ,se quisermos continuar a ter um “lugar para habitar”.E que tudo o que fizermos ao outro receberemos no futuro, segundo as Sábias Leis que regem o Universo e os Seres.

A ciência capaz de realizar essa mudança é a ciência da Educação. A Doutrina Espírita e sua proposta pedagógica [6], é capaz de aliar a atitude, o conhecimento, a razão e o sentimento do Ser, desenvolvendo habilidades, potencialidades, mas principalmente o senso moral de cada um.

A transformação vem ocorrendo desde as primeiras sementes que foram plantadas no coração do Homem, pelos seres espirituais que cuidam desse Planeta, e a grande Transição está acontecendo “dentro” do Ser Humano, e é para ele que devemos dar toda a atenção, ele deve ser prioridade neste momento.

Não podemos deixar passar por nós, alguém que está sofrendo, sem que desperte sentimentos de fraternidade, de solidariedade e de amor. Porque esses sentimentos desenvolvidos, podem levar a maior conquista já vista pelo ser humano: o despertar do senso moral, a autoconsciência e as potencialidades do espírito.

Se Jesus disse: Vós sois Deuses, podeis fazer o que faço e muito mais, é porque Ele já conquistou essa potencialidade, e a maior delas, é a capacidade de Amar e exemplificar esse Amor.

E o amigo Dalmo continua o seu texto:
“... Outra tendência afinada com tais propostas são as idéias do filósofo Edgard Morin [7] , cuja análise histórica da passagem do milênio identificou as três principais forças negativas predominantes no século XX: o aniquilamento, o irracionalismo e a servidão industrial. Identificou também, por outro lado, as contracorrentes que lutam pelo estabelecimento de uma nova ordem mundial, mais harmônica e humanista:

Ecologista: movimenta-se pela preservação ambiental e pela conscientização ecológica;

Qualitativa: luta pela qualidade de vida, pela humanização do trabalho, pelo exercício dos direitos de cidadania e integridade humanas;

Resistência ao consumismo: pratica a temperança, a frugalidade e luta contra o consumo supérfluo e a cultura do desperdício de recursos;

Resistência ao capitalismo desumano: é contra a tirania do dinheiro e do lucro e luta pela correta aplicação e distribuição da riqueza;

Resistência à frieza utilitarista: exemplifica a poesia, a espiritualidade e o amor; combate a disseminação do comportamento individualista e da indiferença social;

Pacifista: acredita no amor e no perdão e trabalha contra a disseminação da violência.

Segundo Morin, todas essas contra - correntes buscam um novo sentido para a Humanidade, na construção de uma Civilização Planetária, através do desenvolvimento de uma consciência antropológica, da maturação de um civismo global e da espiritualização da condição humana. Profetizadas nas obras de ficção científica de Isac Asimov, como “fundações”, esses núcleos sociais ou átomos regeneradores foram surgindo em pequenos grupos idealistas, na medida em ocorriam os abusos empreendidos pelas forças destruidoras e tirânicas e que colocavam em risco milhões de anos de evolução.”

“... continuamos insistindo nessa desarmonia com essas leis e por isso sofremos constantemente os choques de retorno dessas ações negativas. Elas são, quase sempre, estimuladas pelo egoísmo, pelo individualismo, pela ganância, pelo hábito pessoal e social das fugas da realidade, da mentira, da ilusão, da alucinação e outros mecanismos defensivos mentais. “Essa situação de impasse entre a animalidade instintiva e a humanidade intuitiva exige uma reestruturação mental, pela educação dos sentidos físicos e psíquicos.” [8]


Convido a todos a fazerem parte dessa mudança e serem agentes da Renovação Social, átomos renovadores, capazes de transformar a energia planetária com o único compromisso: Vencer a si mesmo.

Mãos à obra!

Abraços
Magali


Bibliografia:
[1] KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – (Cap. Leis Morais – livro terceiro)
[2] KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – (Cap. VII item 7 a 10 - Cap.XI item 11)
[2] KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – ( questão 913)
[3] Um novo mundo, uma nova pessoa, in Em busca de vida. Ed. Summus Editorial
[4] KARDEC, Allan – A Gênese – ( Cap. XVIII – São chegados os Tempos)
[5] KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – (questão 919)
[6] PIRES, Herculano- Pedagogia Espírita
[7] Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. Ed.Cortez.
[8] SANTOS, Dalmo Duque - A Emergência da Pessoa (artigo).


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Resenhas do Leitores
Marcia Barbosa que bom ter amigos que estão sempre trazendo alerta da doutrina. Parabéns 29/01/2009


*Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.
 
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