Padre Quevedo
08/09/2009
01 – O padre Quevedo há alguns anos, teve muito destaque no Programa "Fantástico", da Rede Globo de Televisão, com um quadro fixo. Volta e meia ele aparece na televisão. Qual sua opinião a respeito?
Apresentado como uma espécie de "Mister M" do psiquismo, a desvendar truques e mistificações, Quevedo é também um prestidigitador. Mobiliza seus esforços em torno da única "mágica" que o empolga: reduzir todos os fenômenos espíritas a simples manifestações da mente humana.
02 – Para ele não existe o fenômeno mediúnico?
Exatamente. Viria tudo do inconsciente de suposto médium. Carlos Imbassahy, o grande polemista espírita, dizia que esse ser interior, desvendado pelo padre, é um grande velhaco, porquanto nunca se identifica. Apresenta-se, invariavelmente, como a alma de um defunto.
03 – O inconsciente seria um deus dentro de nós…
Onisciente e onipotente, capaz de proezas, como vasculhar instantaneamente todas as bibliotecas, habilitando-se a responder qualquer pergunta. Realiza, ainda, intervenções prodigiosas na matéria, como entrar num aparelho de televisão e mostrar-se com morfologia humana, som e animação, a transmitir mensagens. Estudiosos que se debruçam durante anos sobre o fenômeno admitem a manifestação dos Espíritos, em transcomunicação instrumental. O padre, sem se dar ao trabalho da mais elementar pesquisa, conclui que é tudo obra do ardiloso inconsciente.
04 – Como Quevedo explica o médium Chico Xavier?
Diz ser um sensitivo capaz de exercitar intensamente faculdades como a clarividência, a telepatia, a psicometria… Isso lhe permitiria devassar, a intimidade das pessoas que o procuram em busca de notícias de familiares que morreram. A partir dessa assombrosa "varredura psíquica" habilita-se, instantaneamente, a incorporar a personalidade do defunto – suas lembranças, maneira de ser, a terminologia que usava, as datas significativas, a convivência, os afetos, as circunstâncias da morte, a grafia, e até a assinatura; um falsário perfeito! Isso, diga-se de passagem, envolvendo milhares de "mortos" que ao longo de décadas comunicaram-se pelo Chico. Um espanto!
05 – E quando o fenômeno acontece no seio da própria Igreja?
Aí ele diz que é milagre. Há dois problemas: se ele não acredita em milagre e diz o contrário, apenas para evitar problemas com seus superiores, como já aconteceu no passado, incorre em mentira. Se realmente acredita, não é um parapsicólogo, como pretende. A parapsicologia, ciência experimental, não admite a derrogação da lei natural.
06 – E o Espiritismo?
Também não aceita o milagre. O que nos parece milagroso é apenas a manifestação de fenômenos que desconhecemos, no contexto da Natureza. O intercâmbio com o além, por exemplo, é um acontecimento natural, envolvendo pessoas dotadas de sensibilidade para captar o pensamento dos Espíritos desencarnados que vivem numa outra dimensão.
07 – O padre Quevedo tem plena convicção a respeito de suas idéias ou apenas está interessado em combater o Espiritismo?
Respeitáveis pesquisadores, no passado, renderam-se à realidade espírita, a partir de suas experimentações. O fato de Quevedo manter-se irredutível, diante de fenômenos espirituais notáveis, onde se evidencia a presença dos Espíritos, demonstra que ele não está interessado em pesquisar com isenção. Quer simplesmente combater o Espiritismo. É uma idéia fixa. Felizmente, o efeito é sempre contrário, transformando-o em grande divulgador de nossa doutrina. Por onde passa, desperta interesse em torno do fenômeno. Pessoas dotadas de um mínimo de bom senso percebem que a realidade apresentada nos princípios codificados por Kardec é muito mais simples e convincente do que as fantasias propostas pelo padre.
08 – Quevedo freqüentemente desafia os Espíritos. Procura demonstrar que tudo não passa de um processo de sugestão. Será ele tão poderoso, capaz de resistir ao assédio das sombras?
O que de melhor pode acontecer para os chamados Espíritos inferiores, que perturbam os homens, é as pessoas não acreditarem em sua existência e influência, facilitando-lhes a ação. Quevedo trabalha em favor dessa idéia. Digamos, portanto, que é, sem consciência disso, um agente desses Espíritos. Obviamente, eles não têm nenhum interesse em causar-lhe embaraços. Certamente até o protegem, advertindo eventuais desafetos. "Não o perturbe. É dos nossos!".
Richard Simonetti
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sobre este artigo
| Resenhas do Leitores |
| Christina Nunes |
Faz tempo que espíritas de valor precisam se colocar à altura deste assunto, com firmeza de opinião e clareza de argumentos. Se todo espírita confrontado pelo aludido personagem fosse do seu porte de conhecimento e de desenvoltura verbal, ele já teria inevitavelmente baixado um pouco a crista e a arrogância incompreensível, de cima da qual insiste em lançar mão desses argumentos destituídos de uma base minimamente sustentável frente a um expositor espírita suficientemente lúcido. O problema é que, nos debates televisivos, por exemplo, existe sempre um cuidado dúbio em se defrontar o tal padre com representantes vacilantes e destituídos do dom do argumento e dos raciocínios rápidos dentro do movimento espírita - o que, infelizmente, diante do seu traquejo verbal adestradíssimo na hora de confundir em lugar de esclarecer, acaba sempre minando esses interlocutores débeis e, a cavaleiro, deixando ao ouvinte ou telespectador má impressão e dúvidas inconvenientes quanto injustas acerca das realidades esclarecedoras expostas pela doutrina de Kardec. Parabéns pela verve e indiscutível qualidade de sua exposição! |
11/09/2009 |
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| antonio |
excelente artigo, já algum tempo que necessitávamos de esclarecimentos contundentes a respeito daqueles que não tem o devido conhecimento, que não estudam, que tem por objetivo apenas denegrir. |
22/09/2009 |
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| José Freire |
Sem contar, acredita-se, o belo cachê por ele recebido para tumultuar o insondável.
Vamos orar pelo padre, ele precisa. |
12/10/2009 |
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| Fabio |
Sobre o que Pe. Quevedo diz que o Chico realmente fazia... É sem dúvida mais fácil, mais prático e mais barato ser médium! |
17/05/2010 |
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