Mito Da Caverna: Enfrentando nossos medos - Parte 6
13/02/2009
Simone Nardi
Vamos continuar retornando para dentro da Caverna enquanto tivermos medo de mudar. Pois dentro da Caverna nós não somos o que queremos ser,não vemos o que queremos ver, não pensamos o que queremos pensar, nós somos o que os homens de um passado distante foram e nos adestraram a ser. Nós não acreditamos no que queremos acreditar, acreditamos em muitas das mentiras que nos contaram e que nos foram mostradas em nossa parede mental, porque achamos que seria mais fácil nos encaixarmos numa sociedade racista, sexista, especista e mais do que tudo, egoísta. Queremos ser o que eles, pessoas que nem ao menos conhecemos, foram, queremos agir como eles agiram, porque sabemos que, como o Filosofo que escapou da Caverna e vislumbrou a verdade sendo curado de sua ignorância, se fizermos o mesmo, iremos parecer estranhos a essa sociedade, incompreendidos, ridicularizados e queremos, não, nós precisamos ser aceitos; queremos ser iguais a todos , afinal é mais fácil viver assim, nas sombra , escondidos em meio a um imenso rebanho.
E surge a questão: O que somos para nós mesmos enquanto dentro da Caverna? O que representamos para o Mundo enquanto levamos essa vida social em forma de rebanho? Porque ao lermos tantas referências a compaixão dentro do Pentateuco Espírita, ainda vamos acreditar que a questão 723 possa ser encarada como uma coisa tão natural?Mesmo sabendo, e seremos repetitivos agora, que ao aceitarmos a questão sem a compararmos com o que nos diz a Ciência e a Filosofia, estamos deixando de realizar o que Kardec nos pediu, raciocínio lógico e nos fanatizando num único pilar, o da Religião?
Se acreditarmos que é tudo muito natural, que os animaizinhos vivem e morrem felizes para servirem de comida, diversão, agasalhos para nós, os seres racionais, é porque estamos assistindo as sombras passando na parede da Caverna Platônica, distantes da verdadeira Luz da Sabedoria e do Conhecimento. Acreditamos que essa seja a realidade, embora não seja, e tememos mudar.
Se soubermos que eles sofrem e mesmo assim não nos preocuparmos com seu destino, precisamos parar e descobrir o que há de errado conosco. Pois se sabemos que causamos dor e aflição a seres que possuem alma e que também foram criados por Deus, enquanto Jesus nos pedia compaixão, e apreciamos esse sofrimento, talvez seja porque nos sintamos fracos para reagir, e isso é sinal de que não queremos lutar contra as ondas e preferimos seguir junto com a maré, leve-nos ela para onde nos levar. O mesmo se dá se acreditamos que, escolhendo vidas que devam ser salvas enquanto outras devam ser mortas,estamos sendo éticos, ainda sim estaremos nas sombras .
Se conseguirmos dar os primeiros passos para fora da Caverna, se formos capazes de nos separar dos grilhões mentais dos demais aprisionados e, se conseguimos olhar para o Sol enxergando em sua Luz, a Verdade, a Realidade, dificilmente nos omitiremos de tomar uma atitude em relação à vida. Seremos o filósofo que escapou da caverna, que através da dialética foi buscar respostas a fim de eliminar primeiramente o senso comum, a visão de todos dentro da caverna, depois as hipóteses, para finalmente se pautar em argumentos seguros se desvencilhando das mentiras que lhe eram impostas.
Sempre existirão aqueles que não desejarão mudar, aqueles que retornarão a caverna e calarão suas vozes e seus ouvidos para os pedidos de socorro de nossos irmãos animais. Mas também sempre haverão aqueles que, em meio a multidão, conseguirão erguer a cabeça e contemplar o Sol da verdade. Esses não terão medo de afastar-se da segurança do rebanho, não temerão a ridicularização e a negação de algo que hoje não nos fica mais escondido aos olhos, estarão em equilíbrio entre os 3 pilares do espiritismo.
Einstein explicou isso de forma sutil ao dizer: Quando uma mente se abre à uma nova idéia, jamais volta ao seu tamanho original.Quando se sai da Caverna e se enxerga a realidade, se torna impossível conviver com a mentira.
Já é hora de enfrentarmos nossos medos, de lermos o Pentateuco sim, mas de olharmos para os milhões de animais que são mortos, então saberemos que nenhuma palavra escrita pode significar mais que a visão da morte de uma animal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PLATÃO - A República -Editora Martin Claret- 2ª Edi�ão
NIETZSCH - Friedrich - Os Pensadores - Verdade e Mentira no Sentido extra Moral
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