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Mito da Caverna: Fazendo sua Escolha - Parte 5
30/01/2009

Simone Nardi


Muitas pessoas são dogmáticas por si mesmas, acreditam naquilo que lhe mostram, não questionam, não vão além, não se permitem pensar por elas mesmas, fazer algo fora disso é opor-se à sociedade e tal coisa é passível de punição, de exclusão social e elas precisam permanecer ligada à sociedade.

“A verdade e a mentira são ditas a partir do critério da utilidade ligada à paz no rebanho. Assim, os gestos, as palavras e os discursos que manifestem uma experiência individual própria em oposição ao rebanho, ou não são compreendidos ou trazem mesmo perigo para aqueles que assim se mostrem.(Nietzsche) “

E não faltam exemplos da incompreensão dessa realidade em argumentos que atravessam os anos, repetitivos e condicionantes, além de totalmente úteis a “paz do rebanho”, porém sem bases morais nos quais se fundarem. Quantas vezes não ouvimos alguém repetir frases do tipo: “Nós podemos comer carne porque muitos animais selvagens fazem isso”. Não pensam, porém, no que implica buscar bases morais em seres que ela foi condicionada a crer, são inferiores a ela, seu grau de “docilidade” é tão alto que ela não consegue perceber que, ao buscar essa base moral nos animais, equipara-se a tudo o que nega a eles, descendo a uma condição que tanto busca para se distanciar dos animais, a de inferioridade e falta de capacidade intelectual. Sim, aqueles mesmos animais que nós, os acorrentados, chamamos de selvagens porque matam e porque são irracionais, nos servem agora de parâmetro ético e moral para que nos perdoemos pela morte e tortura que lhes infligimos. Mas nós podemos, porque nós somos inteligentes, nós temos nossa “própria opinião”, eles o fazem porque são selvagens.

E mesmo buscando respaldo no Livro dos Espíritos ou em muitos outros autores que nada enxergam de mal na matança de animais para alimentação, o que sentimos quando comparamos a palavra do livro, Religião, com a verdade que descobrimos, Ciência e Filosofia ? Rememorando que Kardec nos disse que: “Quando a ciência demonstrar que o espiritismo estiver errado em um ponto, ele se modificará neste ponto” .

Nós sabemos a verdade e encaramos como natural(1) a morte de milhões de animais.
Além disso, nós não os matamos, nós somos “limpos”, pagamos para que façam isso por nós. Apesar de “nossa opinião própria”, que temos e é “nossa”, ouvimos alguém dizer que é natural, que faz parte da cadeia alimentar, além disso, “nos foi dito” que os animais não são nada, e acreditamos, mas é “nossa” opinião pessoal, sabemos que eles possuem alma, sabemos que são nossos irmãos, mas nos alimentamos deles mesmo assim, porque nos foi permitido...

As pessoas que se fundam nesses argumentos são incapazes de notar um detalhe: Em nenhum momento elas passaram o que lhes foi exposto pelo crivo da razão, da curiosidade, do “estranhamento”. Simplesmente aceitaram como Imperativo Categórico(2) o que lhes foi mostrado na parede da Caverna: “Se os homens da caverna comiam carne, nós também podemos comer. Se isso é feito há séculos, é porque deve ser verdade.Porque a carne nutre a carne, e nós somos carne. Não há razão para pensar quando é mais fácil aceitar a imposição social ou uma única questão que fortaleça as nossas fraquezas. Para que descobrir a verdade se podemos aceitar as verdades dos outros? Se podemos encarar que não há mal nenhum em nos alimentarmos dos animais, enquanto exigimos de Deus, sua compaixão.

E assim nos negamos a deixar nossa Caverna Mental, nosso Rebanho Social, nos amarramos àquela única questão do livro que nos dá segurança, porque ele nos assegura o direito de continuarmos ignorantes sobre o que ocorre com o destino dos animais. Porque nossa caverna e nossos grilhões nos permitem permanecermos cegos e surdos, porque nos permite continuar a ser o que os outros já foram, e é desse modo que ensinaremos nossos filhos e os filhos de nossos filhos. Não queremos saber o que poderíamos ter feito ou o que poderíamos ter sido, não queremos deixar esse lugar seguro que nos mostra sombras que nos alegram, muitas dessas sombras, mentiras nas quais desejamos continuar acreditando.

Por quanto tempo vamos continuar recuando para dentro da caverna, acreditando ser permitido ou natural essa guerra entre nós e os animais?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PLATÃO - A República -Editora Martin Claret- 2ª Edição

NIETZSCH - Friedrich - Os Pensadores -Verdade e Mentira no Sentido extra Moral

KANT, Immanuel – Metafísica da Moral-Fundamentação da Metafísica dos Costumes e outros Escritos

1- A pessoa condicionada, perde a capacidade de discernir que a dor e a morte nos animais se procede nos mesmos graus orgânicos que com os animais humanos.
2- Kant e seu Imperativo Categórico de viver de um modo tão ético que sirva para todos, o problema porem é que, os homens dirigem a ética para aquilo que desejam, e não para aquilo para o que serve a ética: O bem coletivo, e como Bem coletivo pode-se incluir a Natureza, sempre colocada de lado.


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Resenhas do Leitores
Vanda Infelizmente os animais não podem fazer uma escolha e nós, que podemos nos omitimos.
Uma pena.
08/02/2009


*Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.
 
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