Mito Da Caverna: Escolhendo o Caminho - Parte 3
14/01/2009
As reflexões que deixamos foram: O que faríamos diante de uma nova verdade? Nos calaríamos ou voltaríamos à Caverna para contar aos demais o que presenciamos do lado de fora?E em qual pilar-Ciência-Filosofia-Religião- nos encontramos hoje? Sabemos que o espiritismo não pode ser apenas Ciência, apenas Filosofia ou apenas Religião, sabemos que a Ciência pode nos afastar de Deus ao nos trazer conhecimento, movendo-nos pelo orgulho de nos colocarmos como os senhores supremos, a Filosofia embora nos faça pensar e desvendar problemas, precisa da ação para acontecer, a Religião é ação e é o que nos une a Deus, porém se nos basearmos somente nela, corremos o risco de nos fanatizarmos de nos desequilibramos a ponto de decorar cada linha do Pentateuco sem contudo, conseguir compreendê-lo, função esta da Filosofia. Por isso o equilíbrio é necessário. A cada passo, depois da descoberta da verdade, poderemos nos encontrar num dos pilares ou equilibrados entre eles.
E nos surge agora uma nova dúvida: E o que seria essa verdade? Nietzsche (1), em seu livro "Verdade e Mentira no Sentido Extra Moral" nos responde:
"[...] a verdade e a mentira são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou o exclui do rebanho. (...) Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho."
Mas um homem conseguiu escapar da Caverna platônica e do rebanho social ao qual Nietzsche se refere, e esse homem, tal como o filosofo de Platão, volta para contar o que viu, porém os outros não acreditam nele e o maltratam. Ao tentar falar o que viu a esses homens que há tantos séculos vivem em "rebanhos", presos as suas crenças e superstições, seria chamado de mentiroso, uma ameaça a ordem natural(2), chamam a nova verdade de "mentira" e o excluem do "rebanho". Essa punição é hoje realizada de forma simbólica(3), às vezes um afastamento, a ridicularização, a completa negação através de uma agressividade emocional, tal como Schopenhauer já havia colocado. Eis que o Mito da Caverna de Platão se repete todos os dias de nossas vidas e reafirma a idéia de Nietzsche sobre a mentira que nos faz viver em sociedade:
"O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o exclui".
Essa é a punição ao homem moderno, a punição simbólica, a Exclusão. Assim é a luta pelos Direitos Animais. A esmagadora maioria das pessoas vive dentro da Caverna de Platão ou dentro do rebanho social de Nietzsche, imaginando que o Mundo é somente aquilo no que as fizeram acreditar. As pessoas dessa moderna Caverna social acreditam que a carne que chega aos seus pratos lhes é extremamente necessária, pois uma sombra projetada na parede as ensinou isso; do mesmo modo passam a acreditar que o animal que foi assassinado nada sofreu, nem antes ou durante o crime, pois as imagens que se refletem na parede de sua Caverna mental são belas, meigas e carinhosas, de forma a moldá-las docilmente aos desejos sociais. Fomos condicionados a imaginar vaquinhas pastando em campos verdes, com seus bezerrinhos felizes e saltitantes. Projetaram em nossas mentes, desde tenra idade, porquinhos sorridentes fazendo propaganda de toucinho. Nossos pais nos faziam assistir desenhos animados onde pássaros comiam filés descomunais, onde os animais comiam lanches de pão com presunto embora tivessem entre si, laços de amizade. Vemos a todo instante, imagens coloridas de vaquinhas felizes nas caixas de leite e bois atléticos pastando alegremente enquanto mostram a carne de primeira que as pessoas devem comprar. Assistimos inertes, um franguinho alegre que se senta a mesa com uma família humana para apreciar a suculenta carne de frango e de peru, seus primos em espécie, e nos extasiamos ao ver uma propaganda com paisagens paradisíacas onde são processadas as salsichas e as lingüiças, tudo arborizado, cheio de flores e feliz. Mas nunca nos perguntamos qual a real ligação entre os felizes animais ao qual nos condicionaram a ver e a realidade dos animais que consumimos.
Será que desejamos permanecer na Caverna, no rebanho, mesmo apôs termos descoberto uma nova verdade? Tudo nos parecerá natural quando dermos o primeiro passo para fora da Caverna e vermos que existe uma outra realidade, e que até então, nos assentávamos somente naquilo que nos era plasmado a mente? Uma Matrix(4)? Uma realidade virtual que descobrimos e da qual podemos optar por mudar ou por permanecer? Qual atitude agora nos pareceria mais caridosa? Seguir essa nova verdade ou permanecer nas sombras?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Editora FEB.
PLATÃO - A República -Editora Martin Claret- 2ª Edição
NIETZSCH - Friedrich - Os Pensadores -Verdade e Mentira no Sentido extra Moral
FOLCAULT, Michael – Vigiar e Punir e Microfísica do Poder – Editora Vozes – 39ª Edição
SALOMÃO, Eduardo Rizzatti - A Morte de Deus e a Idealizaçãodo Homem Segundo a Ótica Moral de Friedrich Nietzsche
1- Wilhelm Friedrich Nietzsche: muitos equívocos contribuíram para que Nietzsche recebesse a alcunha de racista, defensor do nacionalismo militarista e expansionista, muitas foram as deturpações de suas idéias, a exemplo da apropriação do seu sobre-homem (Übermensch), e das suas críticas à moral, à razão e à religião, em prol do projeto da ultradireita alemã. Mas como ignorar a contestação a essas afirmações, se o próprio Nietzsche – já falecido quando dessa hedionda apropriação de sua filosofia – dá a resposta antecipada aos futuros deturpadores de seu pensamento: [...] tampouco me agradam esses novos especuladores em idealismo, os anti-semitas, que hoje reviram os olhos de modo cristão-ariano-homem-de-bem, e, através do abuso exasperante do mais barato meio de agitação, a afetação moral, buscam incitar o gado de chifres que está no povo [...](Eduardo R Salomão)
2- Hoje os Defensores dos Direitos Animais são considerados a terceira maior ameaça no Mundo, por que vão à contramão do que a sociedade exige: passividade diante da dor animal.2008
3- Foucault ,M. A disciplina é uma técnica de poder, a vigilância um mecanismo de controlar esse poder, a punição ao individuo que descumprir as regras o mantenedor simbólico desse poder, o panoptismo como espaço de vigilância plena, de visibilidade total, o poder institucionalizado, tendo a escola como instituição que exerce o poder (indústria, prisões) e o poder circular, ou seja, o poder em rede, onde um indivíduo atinge o outro, e não se pode ver de onde vem e nem para onde vai, o que torna a todos economicamente úteis. Esse biopoder não é físico, mas simbólico (ex. poder exercido entre professores sobre os aluno, pais e filhos), mas forma e sustenta a sociedade resultando, muitas vezes, na fabricação do sujeito/indivíduo conformado, manso, que não reage ou se rebela.
4- Matrix- Filme que fez muito sucesso e que narra algo muito parecido com o Mito da Caverna, num futuro, não muito distante, os seres humanos descobrem que a vida que levam é apenas virtual e que a realidade que acreditam viver, é a mais pura ilusão.
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| Resenhas do Leitores |
| ricardo |
Nossa que materia interessante.Hoje acordei com o objetivo e dar um novo rumo na vida, e me deparei com esse site.Nao tenho o minimo de conhecimento sobre tais assuntos,ou seja estou saindo da caverna agora.E quero ser como o filosofo que viu a realidade e divulgou-a.
Por traz das propagandas das empresas frigorificas, estao os interesses comerciais, o lucro eo poder.Fica a questao, se os animais sao criaturas divinas,criadas por Deus, qual o direito de mata-los? tirar a vida,cria-los com o unico objetivo de vender sua carne e gnhar dinheiro?Apartir de hoje nao consumirei mais carnes, pois sei que animas sejam eles de qualquer espécie tem sentimentos e sofrem a dor da morte,que simplesmente lhe é IMPOSTA.
Me ajudem nessas descobertas para que eu possa divulgar para as pessoas que hoje estao cavernadas e condicionadas a escuridao. meu email é tussolini@folha.com.br |
12/09/2009 |
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de seus autores. |