Dogmas e Polêmicas no Espiritismo? - Parte 2
04/08/2008
"O sinal mais característico da imperfeição do homem é o seu interesse pessoal".
Allan Kardec
Polêmica. Nem sei quantas vezes já ouvi essa palavra saindo da boca de muitos companheiros espíritas. Polêmica é algo que provoca disputas e controvérsias (que não se compreenda aqui como discórdias ou rusgas) em campos discursivos. Polêmica é quando você coloca seu ideal sobre determinado assunto à mostra ou refuta alguma tese já elaborada e, em geral, seu companheiro não está pronto para aceitar ou compreender, então ele se vira para você e diz que você está "gerando polêmica" com aquelas idéias que colocou. Mais uma vez, vemos o campo espírita repleto de polêmicas das mais diversas.Mas o que os companheiros de Doutrina se esquecem é que a polêmica é necessária para o avanço de muitos de nossos conhecimentos.Ela gera o debate e o debate traz o conhecimento e o conhecimento eleva a moral e conseqüentemente, a alma.
A polêmica, esse debate oral controverso, embora alguns não aceitem, muitas vezes é o lado mais correto de um pensamento e gera essa controvérsia por vir exatamente "desacomodar" as pessoas de seu estado letárgico, vem sacudir mentes que muitas vezes não desejam ser "sacudidas", vem para trazer verdades que não desejam ser ouvidas.Um verdadeiro dogma não é?
E mais uma vez nos debatemos com o temível "fantasma" do fanatismo religioso, que dispensa a filosofia lógica do espiritismo e a ciência se prendendo apenas a religião.E Nietzsche explica bem isso quando diz: "Fé significa não querer saber o que é verdade".Quando Kardec nos pede fé, pede a fé raciocinada, que questiona, que admite mudanças, que está aberta ao novo, que necessita conhecer a verdade.
Será que é correto hoje esconder a verdade para que as pessoas sigam nossa religião, ou semear a verdade e correr o risco de afastá-las da nossa religião? "Toda idéia nova encontra forçosamente oposição, e não houve uma única que se implantasse sem lutas".(A.Kardec).Escondendo a verdade, em que seremos melhores que aqueles que se fanatizam e dogmatizam sua fé? Kardec escondeu a verdade dos homens quando falou a todos sobre o mundo dos espíritos e sobre reencarnação?
O espiritismo deseja "lutar" ou apenas "aceitar" o que já existe? Se deseja apenas aceitar, nada de novo poderá surgir diante dele e seremos cegos em nossa fé, por outro lado, se desejarmos mudar, investidos de nossa fé inabalável, não temeremos procurar por um solo/coração fértil onde poderemos depositar nossas sementes e vê-las germinar, trazendo frutos que elevarão a nossa alma e a Fé deixará de ser cega para se tornar bela e verdadeira.
Aceitar que o problema existe é o primeiro passo para se eliminá-lo.
Referências Bibliográficas
NIETZSCHE, F. – Os Pensadores
KARDEC,Allan - Livro dos Espíritos –FEB
KARDEC,Allan – Evangelho Segundo o Espiritismo -FEB
MASSON, Jeffrey Moussaieff: MCCARTHY, Susan – Quando os Elefantes Choram
Simone Nardi
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sobre este artigo
| Resenhas do Leitores |
| Christina Nunes |
Seu texto veio corroborar o que por minha vez abordei no meu último artigo, "Considerações Sobre Ramatis", um dos temas mais "polêmicos" dentro do Movimento Espírita porque muitos se esquecem o fator importante de que o Oriente já lidava com a verdade das vidas sucessivas muito antes que o Kardecismo desse a sua contribuição e imprimisse a sua bela influência na mentalidade ocidental. Carinho. Christina |
07/08/2008 |
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