Fundação Espírita André Luiz | ArtigoAs reencarnações atribuídas a Allan Kardec, Léon Denis e Emmanuel - Breve ComentárioporSonia Theodoro da Silva
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As reencarnações atribuídas a Allan Kardec, Léon Denis e Emmanuel - Breve Comentário 11/06/2012

Sonia Theodoro da Silva

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A curiosidade sobre a vida e reencarnações dos grandes personagens que cercaram a Codificação entre nós, a começar por Allan Kardec, seguido de perto pelo consolidador do Espiritismo em terras francesas, Léon Denis, e no Brasil a personalidade ilustre de seu continuador, o Espírito Emmanuel, é muito grande. Natural, pois, uma vez que sobre eles recaem a imensa responsabilidade de conduzir o Espiritismo ao entendimento humano seja no plano das formas ou nas dimensões do inteligível.

Neste ano de 2012 comemoramos 155 anos da publicação de O Livro dos Espíritos e 10 anos de Vida plena na Imortalidade do querido médium Francisco Cândido Xavier, bem como 71 anos de publicação da biografia romanceada de Paulo de Tarso, “Paulo e Estêvão” - aliás, sobre o grandioso livro acerca do Apóstolo dos Gentios, sobre Estêvão, o primeiro mártir cristão, bem como os detalhes da vida e missão dos apóstolos de Jesus de Nazaré, numa complementação grandiosa e detalhada aos Atos dos Apóstolos de O Novo Testamento, há uma mensagem psicografada por Chico Xavier em 25/06/1941, sob o título “Sobre ‘Paulo e Estêvão’” onde o próprio Emmanuel delibera: “...os últimos retoques ao livro da biografia romanceada de Paulo de Tarso poderemos concluir em breves dias....” (EMMANUEL, 2008, pg. 159).

Posteriormente, em mensagem transmitida ao mesmo médium em 08/04/1942, sob o título “Fixando os pensamentos em Cristo” (EMMANUEL, 2008, pg. 173), Emmanuel se refere ao livro volumoso terminado no ano anterior e deliberando que não seria prudente editá-lo em dois volumes, sob pena de falhar com o seu contributo à uma educação mais acessível ao povo, já que elevaria sobremaneira o seu preço ao varejo. Podemos concluir que o livro pode ter sido editado em 1942, porém o seu término, conforme suas próprias palavras de autor, deu-se em 1941. Segundo J. Herculano Pires, é um livro que por si só justificaria o apostolado mediúnico de Chico Xavier, e que deve ser lido, estudado, e meditado; segundo o pensador espírita, trata-se do maior livro da literatura mediúnica mundial.

Voltando às nossas reflexões sobre as reencarnações dos mestres espíritas, as vivências conhecidas do prof. Rivail, segundo ele próprio nos revela em Obras Póstumas, e sobejamente conhecido de todos, é o da reencarnação como sacerdote druida cujo nome adota como pseudônimo, ou seja, Allan Kardec. Posteriormente, renasce como Jan Huss e finalmente como Hypolite Léon Denizard Rivail. Com referência a Léon Denis, sua reencarnação como John Wycliffe dá o testemunho de perseverança aos ensinamentos de Jesus desprovidos da marcante deturpação niceana e que se perpetua até os nossos dias. As reencarnações intermediárias entre as personalidades citadas e supostamente a eles atribuídas ainda não são conhecidas e carecem de respaldo de seus coadjuvantes.

Com respeito ao Espírito que conhecemos por Emmanuel, a sua presença e interferência nos destinos das grandes comunidades egípcia, romana, européia (após a queda do Império Romano e em diversos países), e finalmente Brasil, para aqui retornar em Espírito, como responsável pelo imenso trabalho de coordenação da face filosófico-religiosa do Espiritismo, trabalhando o pensamento espírita mas também e profundamente a religiosidade espírita com base nos ensinamentos redivivos de Jesus de Nazaré, fica patente o seu profundo envolvimento com o Espiritismo. O livro “O Consolador” é uma das obras de estudos mais marcantes de sua lavra.

À relutância ou dúvidas com relação à existência histórica de alguns personagens citados nos romances da autoria desse Espírito gostaríamos de lembrar que a História humana ainda está sendo escrita.

Como exemplo, façamos um recorte em determinada época do passado, mormente o período pós cristão-apóstólico mais precisamente os séculos III e IV d.C., um período de conflitos extremos, de lutas num império romano decadente, onde as perseguições aos cristãos legítimos (pois seguiam fielmente os ensinamentos de Jesus de Nazaré, ainda não envolto pelo misticismo e a mitologia criados através do Concílio de Nicéia e reafirmados em Concílios posteriores) por “cristãos” aliados ao poder político vigente bem como a mesclagem de conceitos, ritos, rituais, de outros povos ou crenças era evidente, e vieram a deturpar em definitivo a mensagem renovadora de Jesus até os nossos dias. Portanto, por este só fato e muitos outros, podemos vagamente encontrar os dados que procuramos ou nada encontrar, já que registros oficiais desse período foram destruídos em diversos momentos.

Se até os nossos dias se questiona a existência da famosa Biblioteca de Alexandria, o que não se justificaria, já que existem provas cabais não somente de sua existência mas de várias invasões por ela sofridas ao longo do tempo e, por último, a sua destruição definitiva, no século IV, bem como os tesouros científicos, filosóficos e culturais que ela abrigava, encerrando um período de grande produção intelectual para adentrar uma fase de fanatismos e prepotência religiosa e política. O Homem Conquistador jamais deixaria que o Homem Sábio ensombrasse a sua influência, arrogância e domínio.

A mediunidade, consagrada pelo Espiritismo, se encarregou de revelar os aspectos obscuros da nossa História bem como da própria História de Jesus, encobertos pelo passado. Ao estudar em escolas ditas abertas de Jerusalém, pude pessoalmente constatar a imensa influência religiosa predominante que ainda busca obscurecer os dados principais da vida do Mestre, de seus seguidores, discípulos e apóstolos.

No que se refere a Emmanuel, não confundamos a sua reencarnação como Basílio, na qualidade de pensador cristão, nascido no III século d.C. em Roma, filho de pais gregos, habitante da ilha de Chipre, e cuja história está narrada na segunda parte do livro “Ave Cristo”, com o triste personagem dos bastidores posteriores ao Concílio de Nicéia, Basílio de Cesaréia. Nascido em 329 e morto em 379 d.C., este ultimo foi um teólogo, escritor cristão do quarto século, um dos padres capadócios e doutor da Igreja. Assim se referem a este Basílio as nossas fontes de pesquisa consultadas: “Dedicou as suas maiores energias a defender a doutrina da consubstancialidade do Verbo, definida solenemente no Primeiro Concílio de Nicéia (325).

Junto com São Gregório de Nazianzo e São Gregório de Nissa, contribuiu de maneira decisiva na tarefa de precisão conceptual dos termos com os quais a Igreja viria a expor o dogma trinitário, preparando, desta maneira, o Primeiro Concílio de Constantinopla (381) que enunciou de forma definitiva a doutrina sobre a Santíssima Trindade. Sua produção literária compreende trabalhos dogmáticos, ascéticos, pedagógicos e litúrgicos. A ele se deve a fixação definitiva de uma das mais conhecidas missas orientais: a Divina Liturgia de S.Basílio.“ A biografia deste Basílio é bem extensa e corroborada pela Igreja, conforme testemunho dos Papas João Paulo II e Bento XVI.

Se analisarmos a vida de Emmanuel, com base no Espiritismo, veremos que um Espírito como este jamais poderia retroagir em sua trajetória ascencional (assim como nenhum Espírito retroaje em evolução intelecto-moral) em direção ao testemunho de amor e de fidelidade aos verdadeiros ensinamentos de Jesus. Ao longo de suas existências pós-Roma, quando, na pele de Publius Lentulus Cornelius sofre a sua primeira e forte conscientização de seus deveres como homem de Estado, esposo e pai (vide “Há 2.000 Anos”), posteriormente como o escravo Nestório (vide “50 Anos Depois”), como o humilde pensador Basílio (vide “Ave Cristo”), e assim sucessivamente, ficam evidentes os próprios ensinamentos dos Espíritos superiores que assessoraram a Kardec, dizendo que um Espírito, na escala evolutiva que lhe compete, jamais poderia voltar aos momentos primevos e rudes de sua evolução moral.

Assim como o incompreendido Jesus de Nazaré, deificado, ressurgiu com o Espiritismo, que no-lo apresenta como o modelo de ascenção espiritual cabível a todos os seres humanos, os grandes mestres de nosso pensamento, e que registraram os seus próprios testemunhos, vida, ensinamentos, fidelidade a Jesus e ao Espiritismo, continuam incompreendidos e mal interpretados pela vacuidade existencial que nos toma de assalto neste milênio de conflitos e obscuridades, muito embora a Doutrina Espírita nos forneça caminhos lúcidos para esta caminhada.

Fontes de Pesquisa: • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (ed.Edicel, trad. J.Herculano Pires, 1982); • Obras Póstumas, Allan Kardec (ed. FEB, 2006); • Deus Conosco, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier (ed. Vinha de Luz, 2008); • SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na época da expansão do Cristianismo - Séculos, II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002, pp. 237–327; • Lettres, distribuées d´ap. L´ordre historique, Basilius (le Grand, archevêque de Césarée, saint), Jean-Louis Génin, Paris, La Librarie Eclésiastique de Rusant 1827; • Ave Cristo, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier (ed.FEB, 1982); • Paulo e Estêvão, Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier (ed.FEB, 1981); • Léon Denis na Intimidade, Claire Baumard (ed. O Clarim, 1981); • A Esquina de Pedra, Wallace L.V.Rodrigues (ed. O Clarim, 1975); • César e Cristo, Will Durant (ed. Record, 1971); • The Holy Land, Sami Awad (ed. Palphot Ltd., Israel, 1987); • Paulo e o Império, Richard A. Horsley (ed. Paulus, 1997); • Para entender Allan Kardec, D.Incontri (ed. Lachatre 2004); • O Mistério do Bem e do Mal, J.Herculano Pires- cap. O Mistério de Paulo (ed. C. Frat., 1989); • http://www.puc-rio.br/parcerias/sbp/pdf/16-miguelr.pdf (SPINELLI, Miguel, Platonismo Cristão? Que Platonismo? Boletim do CPA, Campinas, nº 15, jan./jun. 2003); • Filmes biográficos de Allan Kardec (Jan Huss e Léon Denis (John Wycliffe) estão no blog http://filosofiaespiritaencantamentoecaminho.blogspot.com).


Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.


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