Fundação Espírita André Luiz | ArtigoAlma Gêmea Conceitos “Televisivos”porSonia Theodoro da Silva
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Alma Gêmea Conceitos “Televisivos” 18/07/2005

Sonia Theodoro da Silva

Recentemente a imprensa publicou pesquisa feita nos EUA e constatou que um número bem representativo da população está em busca de lazer, através dos meios de comunicação, ou mesmo no cinema, teatro, etc., que ofereçam uma abordagem menos voltada para a violência, para o sexo pelo sexo e explícito, para o sentido escatológico da destruição como conceito, e mais, muito mais voltada para o relacionamento dito normal entre as pessoas, e ainda informando que as opções "romance", "romantismo" surgiram em grande número.

Alguns diriam saudosismo. Será? Mas as gerações anteriores também não viviam em meio a grandes dificuldades? A Segunda Grande Guerra foi conseqüência de conceitos e posturas político-militares e sociais extremamente equivocadas, haja vista que no livro de autoria de André Luiz, Nosso Lar, capítulo 24, "Impressionante Apelo", os Espíritos do Bem relatam os momentos dramáticos que antecederam o eclodir da guerra que ceifou 40 milhões de vidas em seis anos de luta selvagem. Temos uma idéia clara e objetiva de como os Amigos da Humanidade trabalharam por afastar das mentes humanas a opção pela autodestruição, verdadeiro apelo ao suicídio coletivo, que todas as guerras trazem em seu bojo. É comovente o sacrifício e o empenho que esses Espíritos tiveram em preservar a vida no planeta à época. Lísias finaliza suas explicações a André Luiz, dizendo: A humanidade carnal, como personalidade coletiva, está nas condições do homem insaciável que devorou excesso de substâncias no banquete comum. A crise orgânica é inevitável. Nutriram-se várias nações de orgulho criminoso, vaidade e egoísmo feroz. Experimentam, agora, a necessidade de expelir os venenos letais. Lísias desliga os aparelhos que noticiavam a falência dos esforços das comunidades espirituais em torno da Terra, a fim de evitarem o pior, e acrescenta, enxugando uma lágrima: A humanidade terrestre pagará, em dias próximos, terríveis tributos de sofrimento.

Sabemos que este "pagar" insere-se no contexto do livre-arbítrio versus determinismo, ou seja, somos absolutamente livres para causar, mas estamos sob o determinismo dos efeitos, como aquela tão conhecida expressão da semeadura livre e colheita obrigatória.

Fica a pergunta no ar: Não estaríamos em momento semelhante? Até que ponto estamos acumulando o mesmo conteúdo do banquete acima citado, na linguagem metafórica dos Espíritos amigos? Veit Valentim, historiador alemão, dizia que a História, se mais não faz, serve para meditarmos nas conseqüências dos atos que praticamos, como se fossemos insurretos contra o Bem. Estamos, hoje, na colheita imediata, não dos atos praticados pelas gerações passadas, mas por nós mesmos.

Sim, poderão objetar alguns, o Bem hoje se espalha pelo planeta, em proporção significativa, muito embora seja confundido com rotulagens do gênero religioso, esotérico, ou oriundo de manifestações rebeldes contra o status quo, como são rotuladas as ações de ONGs corajosas como o Greenpeace. Lembro-me de uma mesa-redonda realizada em Amsterdã, Holanda, onde a participação de cidadãos de diversas áreas versus economistas, dava a exata dimensão de onde hoje a "luta" se localiza. Pessoas como Dalai-Lama, Fritjof Capra dialogavam com artistas norte-americanos, europeus e árabes, e pela representação da Economia, nomes importantes do primeiro mundo. Conclusão; houve um sério debate em que se exigia o perdão da dívida externa por parte dos países de primeiro mundo aos do terceiro e em desenvolvimento, o crescimento equilibrado para que não se destruísse o planeta com emissões de gases, poluição ambiental, destruição de florestas, etc., etc. Fica claro que é tudo uma questão de priorizar a Vida, em detrimento do crescimento devastador. Que o interesse maior da globalização deveria estar na Educação, em amplo aspecto. A gravação está disponível no acervo da TV Cultura. Vale a pena conferir.

Voltando aos falhos meios de comunicação - eu diria que todos estamos fartos de encontrar na TV, seja aberta ou a cabo e satélite, no rádio, nas revistas, nos jornais, abordagens que exaltam, além dos já citados temas, a ironia, o sarcasmo, o deboche, como clichê comportamental, tido como “engraçado", plenamente aceitos e incentivados entre os jovens - que, diga-se de passagem, a maioria deles deplora - e os adultos. Seria uma válvula de escape diante de tantos problemas, tantos desafios? Ou na verdade, trata-se de comportamento que oculta problemas mais sérios por parte de quem os cria e de quem os assume? Certamente que a moderna psicologia poderá nos auxiliar nesta análise. Lembro-me do meu professor de pós-graduação, Dr. Alvino Augusto de Sá, eminente doutor em psicologia, e de seus postulados sobre o efeito das abordagens desse gênero sobre o comportamento das massas quanto às mensagens a ela dirigidas pelos meios de comunicação. Posteriormente, outra mestra, Dra. Maria Julia Prieto Peres, complementa com sua abordagem focada às origens dos comportamentos patológicos em sociedade gerando distúrbios na saúde do indivíduo nesta ou em próximas reencarnações.

Poderíamos exigir maior responsabilidade por parte desses veículos, que formam gerações de pessoas aflitas e conturbadas por modelos estéticos inalcançáveis, por padrões de comportamento desequilibrantes, tidos como normais, quanto são apenas naturais no indivíduo que o porta e passíveis de reeducação, além da ausência total de diálogo, que passou a girar em torno da maledicência contra quem quer que não preencha padrões pré-concebidos e criados num mecanismo de projeção de quem os cria e projeta, bem explicado por Freud em seu trabalho "As neuropsicoses da defesa".

Mas e a Alma Gêmea do título de nosso artigo? Poderíamos resumir, dizendo que se trata de mais uma invenção "televisiva", em sua criação e desenvolvimento. Fomos criados à semelhança divina, somos potência em formação, somos semelhantes à Criação, pois a ela pertencemos como identidade biológica; estamos sujeitos ao determinismo Divino que nos destinou ao puro estado de Espiritualidade Superior - Vede Jesus, dizem os Espíritos da Codificação. Nada esotérico, nada oculto, nada místico, nada mítico. Simplesmente SOMOS. E na luta pela própria ascensão, continuamos perdidos no falso Jardim do Éden de nossas próprias criações.

Nesses encontros e desencontros, almas queridas pela convivência constante no tempo se nos apresentam à convivência. E o amor refloresce; levado pelas nossas expectativas, anseios, esperanças. Metades eternas? Romanticamente falando, sim (veja-se a pesquisa nos EUA). Mas naturalmente, não. Pois não somos metade de ninguém. Somos seres infinito-relativos e esta mesma condição nos dá a sensação de incompletude. A mesma que existe em todos os seres. Jesus dá-nos a resposta sugestiva para esta vacuidade que nos atormenta consciente ou inconscientemente: Eu e o Pai somos um.

Mas o mais grave, na novela televisiva, é a mensagem subliminar de que o Espírito reencarna no momento do nascimento - NÃO SERIA UMA JUSTIFICATIVA E UMA PERMISSÃO OCULTA AO ABORTO, já que teoricamente não haveria vida até àquele momento?

Busquemos as Divinas Leis; sejamos seus cumpridores fiéis. Cumpramos as leis humanas, com discernimento, pois elas visam à disciplina das relações. Sejamos fraternos. Respeitemos a Natureza. Amemos as Plantas e os Animais. Respeitemos o planeta que nos acolhe. Oremos pelos doentes e encaminhemos os enfermos da alma, sejam eles agressivos ou tímidos. Olhemos com piedade os irônicos, os debochadores, escravos de seu próprio desequilíbrio.

Mas, sobretudo, hoje, tratemos de cuidar de nossa convivência, que se estende desde o lar, beneficiado e pacificado pela prece e pelo conhecimento espíritas, até o exercício da cidadania plena, responsável, necessária, emergente e urgente.

Site recomendado: www.unesco.org/manigesto2000 (Por uma cultura de paz e não-violência: 1) Respeitar a vida, 2) Rejeitar a violência, 3) Ser generoso, 4) Ouvir para compreender, 5) Preservar o planeta, 6) Redescobrir a solidariedade).


Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.


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