Fundação Espírita André Luiz | ArtigoAlimentação Carnívora - Parte 1porSimone de Nardi
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Alimentação Carnívora - Parte 1 07/06/2006

Simone de Nardi

Essa é uma questão sempre muito polêmica, não apenas dentro do espiritismo, mas em muitas outras religiões.
Alimentar-se ou não de carne?
Fala-se tanto dentro das Casas Espíritas que os médiuns: verdadeiros doadores de energia, não devem se alimentar de carne no dia do trabalho, isso pelo malefício que ela causa tanto ao organismo como ao perispírito devido aos seus fluidos pesados e sombrios, afinal uma vida é tirada de forma cruel para servir de alimento.
E quando essa questão é debatida, surge em nossa mente aquela já conhecida frase, ditada pelos espíritos: “A Carne nutre a Carne”.
Sim, talvez isso fosse verdade há mais de cem anos atrás. Vamos começar a pensar de uma outra forma, talvez um pouco diferente da tradicional até porque, tudo evolui.
Se a carne deve ser evitada nos dias de trabalho espiritual, pois pode prejudicar os médiuns, por qual processo ela se torna menos maléfica nos dias que se seguem? Vamos dizer que a alimentação carnívora, além de poder prejudicar o indivíduo devido aos seus fluídos nada leves, também causa distúrbios digestivos e é, já comprovado pela ciência, uma das maiores causas de câncer de estômago.
Mas voltemos ao tema: o porque dessa recomendação apenas no dia do trabalho, já que as energias negativas da carne permanecem no organismo por cerca de três dias. E é óbvio que não somos médiuns e trabalhadores apenas dentro da Casa Espírita, somos diariamente, acordados ou dormindo, no trabalho, na rua, em casa, somos médiuns por vinte e quatro horas.
Não?
Não exercitamos a caridade todos os dias? Se não exercitamos deveríamos começar a fazê-lo.
Vejamos alguns exemplos de que é, perfeitamente possível, viver sem alimentar-se do sofrimento animal.
Vamos falar dos Essênios, uma das principais seitas religiosas da Palestina e de onde se acredita, Jesus era membro. Eram, conforme escritos que foram encontrados: vegetarianos;
'...estas criaturas são teus companheiros na grande casa de Deus, sim, são teus irmãos e irmãs, têm o mesmo alento de vida na Eternidade. E quem cuida da menor delas e lhes dá de comer e beber, o mesmo está fazendo comigo”...
Segundo essa antiga escritura essênia encontrada em 1888 e traduzida pelo Reverendo Gideon Jasper Ouseley, Jesus igualmente era vegetariano.
A própria mensagem que Jesus nos deixou foi de amor e compaixão, bondade e misericórdia em relação a qualquer Criação de Deus. Jesus contestou o sacrifício de animais no Templo, disse que Deus requeria piedade não sacrifício e amou a todos os seres que existiam.
Concordamos que todo alimento é permitido ao homem desde que não o prejudique, é a Lei de Conservação, uma Lei Divina.
Mas vamos continuar nosso raciocínio.Comemos carne de animais, nos fartamos com a morte deles.Isso agora lhe parece Divino?
Quando deixamos de comer carne para trabalhar na Casa Espírita, fazemos isso para não nos prejudicarmos e nem para prejudicar nosso próximo dentro da Casa Espírita.Não é um amor desprendido, afinal não temos “próximo” apenas dentro de um Centro.Depois voltamos a comer nossos irmãos inferiores sem um pingo de remorso, isso porque ainda não encontramos o verdadeiro motivo para tirar da mesa, esses apreciados cadáveres.
O amor puro é nobre de sentimentos.
O Espírito Irmão X chama isso de “mantermos um cemitério na barriga”, afinal de contas também somos animais!
Emmanuel, no Livro O Consolador, acha um erro brutal a ingestão de víceras de animais, já que Deus colocou a disposição do homem, um verdadeiro arsenal de proteínas e vitaminas que facilmente repõe as energias negativas da carne.
Como podemos buscar nossa evolução, nossa purificação se ainda mantemos os mesmos vícios do passado?
E assim nos falam tantos outros autores espirituais. Os animais sofrem sim antes de morrerem, nenhuma morte para eles é indolor. Assim como nós, animais humanos, eles - animais não humanos - também possuem seu instinto de conservação e pesquisas recentes mostram que possuem emoções de medo, pavor e angustia, da qual nos alimentamos.
Engana-se quem ainda pensa que os animais foram criados exclusivamente para servir aos homens.
Falamos de amor, mas não o deixamos crescer, somos preconceituosos com quem devemos ou não amar e respeitar.Comer ou não carne é uma opção, mas devemos ter em mente que a crueldade com os animais se inicia num matadouro, vai para um frigorífico e termina em nossas mesas, e que estamos sendo coerentes com ela.
Devemos lembrar que eles, assim como nós, também, somos filhos de Deus e que Deus assiste tudo o que estamos fazendo com eles.
Não vamos aqui falar de moral, de conduta, vamos apenas pensar em treinar nosso amor na tarefa mais difícil: O respeito aos animais.
Hoje, em pleno século 21, quando há tantas manifestações em prol dos animais, não é mais concebível que deixemos de comer carne apenas para trabalhar em nosso benefício, mas devemos nos desprender dessa mesquinhez e pensar que o fazemos pelos animais.
Nem todos devem parar de comer carne, não, nem todos conseguirão, mas todos devemos pensar que, para que tenhamos carne em nossa mesa, uma vida foi tirada.
Uma vida que Deus, Pai de todos nós, criou com o mesmo amor com o qual nos fez.

Simone Nardi


Ps.: Os conceitos aqui emitidos não expressam necessariamente a filosofia FEAL, sendo de exclusiva responsabilidade de seus autores.


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